Skip to main content
Plano de Controle da Mastite – parte 2: o papel crucial das teteiras

Plano de Controle da Mastite – parte 2: o papel crucial das teteiras

Listen to this article!

Entre as ações recomendadas para preservar seu rebanho da mastite, garantir o bom funcionamento das teteiras durante a ordenha pode ser um passo crucial. Vamos então descobrir o que nosso especialista Luiz Cutolo sugere para o bemestar das suas vacas. 

 

Como mostrado no episódio anterior, os produtores devem seguir um sólido Programa de Controle da Mastite para evitar que bactérias perigosas entrem no canal do teto por contato direto com superfícies contaminadas, por uma rotina de ordenha incorreta ou por um sistema com mau funcionamento. Neste último caso, as teteiras são emblemáticas, pois são o componente que toca diretamente o teto da vaca durante a ordenha. Consequentemente, problemas nas condições das teteiras podem afetar imediatamente a saúde dos tetos, levando a casos de mastite. 

 

Com a ajuda de Luiz, vamos descobrir a relação entre teteiras e mastite, bem como algumas boas práticas para aproveitar ao máximo esse componente essencial da ordenha. 

 

Qual é a relação entre teteiras e mastite? 

Primeiramente, é importante distinguir duas funções principais da teteira: 

  • Durante a fase de abertura, ela permite que o vácuo abra o esfíncter e que o leite flua para fora do teto. Isso ocorre após uma estimulação adequada com liberação de ocitocina, que ativa a descida do leite. 

  • Durante a fase de fechamento, as paredes da teteira se tocam, com o objetivo de descongestionar o tecido do teto.

    Nesse sentido, Luiz destaca: 

“A teteira exerce uma força de compressão crescente sobre o teto até superar a pressão sanguínea diastólica, interrompendo o fluxo de leite e descongestionando o tecido do teto. Essa ação deve ser extremamente suave para preservar as condições do teto.” 

A infecção por mastite está fortemente relacionada a casos graves de hiperqueratose, um espessamento excessivo da pele ao redor do orifício externo do teto, causado por estresse mecânico devido à pressão excessiva ou ao deslizamento das teteiras. 

 

Além disso, é importante considerar:

 

  • Nível de vácuo:

    Se for muito alto, o vácuo pode limitar o fluxo de leite, causando congestão excessiva dos tetos. Como consequência, a ordenha se torna dolorosa e estressante para as vacas, que produzem adrenalina — a qual limita a liberação de ocitocina. 

    Se for muito baixo, o vácuo não alivia a congestão e reduz o fluxo de leite. Assim, a abertura do teto é dificultada, a capacidade de transporte diminui, o tempo de ordenha aumenta e o processo se torna doloroso para os animais. Eles ficam inquietos e começam a dar coices, causando variações irregulares de vácuo por entradas repentinas de ar durante a ordenha e refluxo de leite para os tetos. Esse refluxo aumenta o risco de infecção, pois mantém o teto molhado. 

     

  • Teteiras desgastadas. De acordo com o material, as teteiras têm diferentes vidas úteis:

    Borracha: trocar após 2.500 ordenhas 

    Silicone: após 5.000 a 10.000 ordenhas 

    Alguns modelos de borracha dos EUA: 1.200 ordenhas, devido a menor teor de carbono no composto 

 

Um dos principais problemas é o mau desprendimento do teto, causando estresse nas vacas e queda das teteiras. Além disso, durante o fechamento para descongestão do teto, a teteira pode causar pressão excessiva no esfíncter a cada ciclo de pulsação. 

Quanto às teteiras desgastadas, Luiz acrescenta: 

Teteiras usadas em excesso perdem suas propriedades físicas, como tensão, forma do barril e movimento normal da parede, com aceleração atrasada. Esses fatores reduzem a pressão e a tensão no ponto de toque, enquanto a pressão excessiva aumenta. Com isso, o fluxo de leite diminui, as forças de compressão aumentam e a massagem torna-se incorreta. 
Devido à deformação do barril, os tetos não entram adequadamente nas teteiras, que escorregam com facilidade e se fecham ao redor dos tetos com capacidade muito baixa de descongestão.” 

 

Compressão das teteiras e pressão excessiva

A compressão da teteira (LC) é a pressão média compressiva aplicada durante a fase de massagem do ciclo de pulsação, medida em kPa. 

 

A LC depende de: 

  1. formato 

  2. dimensões 

  3. material 

  4. tensão 

  5. nível de vácuo 

  6. duração da fase de repouso 

     

Controlá-la requer escolher o modelo correto e fazer a substituição no prazo recomendado pelo fabricante. 

Níveis adequados de LC promovem a remoção de fluidos do tecido da extremidade do teto, resultando em um fluxo de leite mais rápido durante a fase B. 

Quando isso não é alcançado, como no caso de teteiras desgastadas, pode ocorrer pressão excessiva (OP), ou seja, uma compressão maior que a necessária para iniciar ou parar o fluxo de leite durante a massagem. Isso aumenta a hiperqueratose por remoção excessiva de queratina do canal. 

 

Como remover o conjunto de ordenha do animal?

A remoção das teteiras deve seguir algumas etapas: 

  1. Desligar o vácuo, pelo registro do conjunto ou pela válvula ACR. 

  2. Aerar o conjunto de ordenha, reduzindo o vácuo na boca do teto antes de puxar o conjunto do úbere. 

  3. Quando o barril estiver totalmente aerado, uma leve pressão é suficiente para remover a teteira suavemente. 

No caso de removedores automáticos de conjuntos (ACR), ajustar o tempo entre desligar o vácuo e puxar o conjunto pode ser desafiador. Esse tempo é programável conforme o tipo de ventilação (no coletor ou na boca) e as dimensões do barril da teteira. O momento mais seguro para puxar o conjunto é quando a teteira escorrega naturalmente do teto. 

Por outro lado, como destaca Luiz: 

“Quando o sistema puxa os conjuntos do úbere, mas o vácuo da câmara não cai adequadamente e as teteiras ainda estão presas ao animal, elas não se soltam imediatamente e a remoção será brusca, favorecendo infecções. 
Outro ponto importante é que tempos de ordenha muito longos e períodos de sobreordenha influenciam consideravelmente a condição dos tetos. A fase de fluxo descendente ou sobreordenha não deve exceder 30 segundos por quarto.” 

 

Nesta edição, investigamos a relação entre teteiras e mastite, esclarecendo como escolhas inadequadas de componentes e configurações da ordenha podem comprometer gravemente a integridade dos tetos, criando condições favoráveis para a disseminação de patógenos causadores da mastite. 

No próximo episódio, traremos dicas úteis de higiene e segurança que transformarão as teteiras em suas melhores aliadas no combate à mastite. Não perca! 

 

milkrite | InterPuls agradece a Luiz Cutolo por seu valioso apoio. 

 

Fontes: 

  • Controle de mastite: Como as teteiras podem influenciar? Cutolo, 2021 

  • Mastitis control in dairy production Sharif, Umert, Muhammad – Journal of Agriculture and Social Science, 2009 

    (PDF) Mastitis control in dairy production (researchgate.net) 

  • Tackling mastitis the right way Warren – DairyGlobal, 06/2021