Vácuo e Pulsação: seus aliados para alcançar eficiência na ordenha
Durante todo o processo de ordenha, a atenção aos detalhes desempenha um papel fundamental para obter um leite de alta qualidade em pouco tempo, preservando o bem-estar das vacas. Portanto, neste episódio destacamos a importância de um sistema de pulsação e vácuo eficaz para uma extração de leite bem-sucedida e respeitosa.
Nos últimos 30 anos, a eficiência da ordenha melhorou significativamente, levando a fluxos de leite mais constantes e tempos de ordenha mais curtos. Porém, ao buscar maior desempenho, é essencial manter o foco no bem-estar das vacas, já que a eficiência do processo também depende da condição de saúde dos animais. Este último aspecto, em particular, é altamente influenciado por dois elementos do sistema de ordenha: pulsação e vácuo. Para torná-los seus aliados na otimização da ordenha, pedimos aos nossos especialistas que compartilhassem algumas dicas essenciais.
Pulsadores e ciclo de pulsação
Primeiramente, uma pulsação correta requer componentes confiáveis, duráveis e devidamente ajustados. Isso significa que os pulsadores devem ser escolhidos com cuidado, instalados conforme as normas do fabricante e adaptados às necessidades do animal ordenhado. Esses componentes orientam tanto o movimento da teteira quanto a massagem do teto durante a ordenha, influenciando diretamente a taxa de fluxo de leite e a condição do teto.
Na câmara de pulsação, o sistema gera alterações regulares entre vácuo e pressão atmosférica, determinando duas fases principais (Figura 1):
• Fase de ordenha, essencial para alcançar tempos curtos de ordenha, que inclui:
Fase A – tempo de abertura da teteira
Fase B – tempo de teteira aberta
• Fase de repouso ou massagem, na qual o leite não flui. É essencial para reduzir a congestão do teto e o risco de mastite. Inclui:
Fase C – tempo de fechamento da teteira
Fase D – tempo de teteira fechada
Figura 1 – Efeito da pulsação e vácuo na teteira e o ciclo de pulsação.
Fonte: material interno de treinamento milkrite | InterPuls
De acordo com as especificações ISO, a fase B deve representar pelo menos 30% do ciclo de pulsação, com queda de vácuo inferior a 4 kPa, o que significa 300 ms ao configurar uma taxa de 60 ppm. Entretanto, para maximizar o fluxo de leite, nossos especialistas recomendam um tempo de teteira aberta entre 400 e 450 ms.
Um tempo muito curto na fase B diminuirá o fluxo de leite.
Uma queda excessiva de vácuo pode causar movimentos indesejados da teteira, prejudicando o fluxo do leite e aumentando o tempo de ordenha.
Se essas situações ocorrerem, pode ser necessário:
Verificar vazamentos no tubo de pulsação
Verificar se o pulsador está limpo
Verificar desgaste das partes móveis
Verificar danos nas teteiras
Verificar se as teteiras estão bem acopladas às capas
Verificar a câmara de pulsação
A fase D deve durar preferencialmente entre 200 e 300 ms, com queda de vácuo inferior a 4 kPa.
Se a fase D for muito curta ou se o vácuo for excessivo, a massagem será ineficaz, aumentando a congestão do teto, causando danos e favorecendo a mastite.
Dicas para manter a fase D sob controle:
Verificar obstruções nos tubos de pulsação
Verificar se o pulsador está limpo, especialmente o filtro
Verificar desgaste das partes móveis
Verificar danos nas teteiras
Verificar compatibilidade entre pulsador e teteira/capa
Taxa de pulsação, relação de pulsação e vácuo
Regulando o acesso de ar e vácuo, o pulsador determina as fases do ciclo. Isso ocorre combinando o vácuo com dois ajustes principais:
Taxa de pulsação – frequência dos ciclos por minuto
Relação de pulsação – proporção entre fase de ordenha e fase de massagem
Valores recomendados para vacas:
Nível de vácuo [kPa] – Linha alta/balde: 48-50
Nível de vácuo [kPa] – Linha baixa: 42-44
Taxa [ppm]: 60
Relação [%]: 40:60
Apesar dos padrões recomendados, pode ser necessário ajustar parâmetros conforme necessidades individuais. Para isso, controladores de pulsação podem garantir supervisão total dos parâmetros entre os conjuntos conectados.
Quanto à estabilidade do vácuo, reguladores de vácuo ajudam a minimizar flutuações que possam afetar a extremidade do teto.
Outro aspecto essencial é o tempo em que o úbere permanece exposto ao vácuo no final da ordenha, quando o fluxo de leite diminui. Quanto maior a exposição, maior o risco de sobre-ordenha e danos ao teto. Para evitar isso, extratores automáticos de conjuntos (ACRs) podem garantir a retirada no momento correto.
Manutenção do sistema
Dois fatores adicionais melhoram a eficiência da pulsação e do vácuo:
Higiene regular da sala de ordenha
Manutenção programada, conforme frequência de ordenha e recomendações do fabricante
Para o pulsador:
Limpeza do filtro com água e detergente suave a cada 3–6 meses
Verificação da taxa e relação de pulsação a cada 12 meses
Limpeza imediata caso leite seja sugado para o pulsador
Para o sistema de vácuo:
Capacidade do vácuo da bomba (evitar falta de reserva de vácuo)
Lubrificação da bomba
Conclusão
Além de garantir maior fluxo de leite em menos tempo, um sistema de pulsação e vácuo eficiente deve se adaptar às necessidades de cada animal, reduzindo desconfortos e protegendo a saúde dos tetos. Esses objetivos são alcançados mais facilmente com um sistema de alta qualidade e bem mantido.
Cuide do seu sistema de ordenha e não perca o próximo episódio do nosso blog: você não vai se arrepender!
Agradecimentos aos especialistas Luiz Cutolo, VP Commercial - Americas & MD CAS, Filippo Lusetti, Service Desk Coordinator, e Luca Giuliani, Trial Technician.
Fontes:
4 tips to check your milking vacuum avoiding mastitis in cattle Nicola Rota – Mastitis Vaccination
Get pulsation right and maintain a high flow rate from the teat while stimulating milk flow – DairyNZ
L’efficienza di mungitura si può misurare e migliorare Lucio Zanini – ARAL, 2014
These milking system issues trip up many of us Paul Virkler, Matthias Wieland – Hoard’s Dairyman, 12/2020
Material de treinamento interno – milkrite | InterPuls